Newsletter Agosto 2026

Data centers na Europa estão a enriquecer as “big tech” da América do Norte

Olá!

De volta à rotina depois dos meses de verão, enquanto uns procuram um recomeço para outros este continua a tardar. Para as pessoas afetadas pelo comboio de tempestades, as ajudas ainda estão atrasadas ou são insuficientes. Uma notícia da Sapo estima que “cerca de três quartos dos prejuízos terão de ser suportados diretamente por famílias, empresas e pelo Estado, através dos danos no património público e dos mecanismos de apoio à recuperação”, uma vez que apenas um quarto dos danos estava coberto por seguros. Ainda assim, os lucros da REN subiram até aos 93,4 milhões até junho, uma subida de 42%, apesar dos danos da Kristin.

Como tem sido constante nos últimos meses, assistimos a mais records de temperaturas: Julho de 2026 empata com julho de 2024 como o mês mais quente já registrado na Terra e a temperatura média diária da superfície do mar mundial bate o recorde de 2024. No meio destas catástrofes, a extração fóssil continua e o horizonte do 1.5º C parece cada vez mais distante.


Nota: Todas as palavras sublinhadas são links externos, fontes de notícias, estudos, ou outras referências.

A Nova Zelândia concede licenças para voltar a explorar petróleo

O Governo da Nova Zelândia concedeu a primeira licença de exploração petrolífera desde que reverteu a proibição da exploração offshore, imposta pelo anterior executivo.

A autorização, atribuída à empresa australiana EnZed Energy, permite 12 anos de prospeção na Bacia de Taranaki.

A EnZed Energy começará por analisar dados sísmicos e estudos geológicos, enquanto outras seis empresas procuram obter direitos de exploração antes das eleições de novembro. O Partido Trabalhista promete restabelecer a proibição caso regresse ao poder.

Reuters – 29/07/2026

O Barclays incentiva os seus clientes lucrar com a crise climática

O Barclays, maior financiador europeu de empresas de combustíveis fósseis, identificou oportunidades de investimento num possível fenómeno “super El Niño” em 2026/27.

Segundo uma nota enviada a clientes, o fenómeno “El Niño” poderá provocar condições meteorológicas extremas, prejudicar colheitas e fazer subir os preços nos mercados.

A previsão do Barclays surge num contexto de pobreza, conflitos, cortes na ajuda internacional e aumento dos custos agrícolas, fatores que poderão agravar a escassez alimentar.

The Bureau Investigates – 28/07/2026

Os níveis historicamente baixos do rio Danúbio obrigam ao encerramento da única central nuclear da Hungria

A Hungria poderá ficar temporariamente sem energia nuclear pela primeira vez, depois de a central de Paks, a única do país, ter sido obrigada a suspender totalmente a produção devido aos níveis recorde de água do Danúbio.

A central utiliza o rio para arrefecimento, mas a descida do caudal impediu o funcionamento dos sistemas de captação.

A Roménia também desligou um dos dois reatores da central de Cernavodă, responsável por cerca de 20% da eletricidade do país, devido à baixa do Danúbio.

BBC – 30/07/2026

Experiência de substituir voos por comboios reduz emissões na Áustria e em França

Uma análise dos efeitos das políticas adotadas durante a pandemia indica que a substituição de voos domésticos de curta distância por viagens de comboio reduziu significativamente as emissões da aviação na Áustria e em França.

As medidas foram impostas como condição para os resgates públicos concedidos à Austrian Airlines e à Air France: os voos inferiores a cerca de duas a três horas foram restringidos quando existiam alternativas ferroviárias adequadas. Na Áustria, as emissões da aviação doméstica caíram 22% entre 2023 e 2025, enquanto em França as emissões associadas aos voos no aeroporto de Orly diminuíram 16% no mesmo período.

Os resultados sugerem que a transferência de passageiros do avião para o comboio pode contribuir para a descarbonização do setor, embora as restrições analisadas tenham abrangido apenas algumas rotas. Estimativas citadas no artigo indicam que a substituição, em toda a Europa, de voos domésticos inferiores a 800 quilómetros poderia evitar cerca de nove milhões de toneladas de emissões por ano. A nível mundial, a medida poderia reduzir mais de 72 milhões de toneladas, valor que subiria para cerca de 91 milhões com a inclusão de voos internacionais de curta distância.

Climate Trace – 20/07/2026

A Palantir quase não paga impostos na Europa, ao mesmo tempo que beneficia de contratos públicos

Um novo relatório do CICTAR acusa a Palantir de pagar poucos ou nenhuns impostos empresariais em vários países europeus, enquanto aumenta os seus lucros e o valor das ações através de contratos públicos.

A empresa norte-americana opera no Reino Unido, França, Alemanha, Espanha, Países Baixos, Itália e Bélgica, e terá deixado de pagar cerca de 12 milhões de euros ao transferir para os Estados Unidos lucros obtidos na Europa, onde não paga imposto federal sobre o rendimento.

Segundo o relatório, a Palantir reduz ainda a sua carga fiscal através de sistemas de compensação baseados em ações, que permitem obter grandes deduções fiscais em vez de pagar os trabalhadores apenas através de salários.

As conclusões levantam preocupações sobre a justiça fiscal, o financiamento dos serviços públicos e a soberania tecnológica europeia, sobretudo porque a empresa desempenha um papel crescente em áreas como defesa e segurança.

EPSU – 05/08/2026

“Shell Files” expõem como empresas evitam impostos

Um conjunto de documentos confidenciais divulgados após um ciberataque em 2020, revelam como as regras da OCDEpermitem que multinacionais desloquem lucros para jurisdições com tributação reduzida, mantendo-se formalmente dentro da legalidade.

A análise centra-se na Shell e descreve lucros elevados obtidos através da sua atividade de comercialização de petróleo nas Bahamas, a redução dos resultados declarados por operações de serviços nos Países Baixos e no Reino Unido e a transferência das marcas da empresa para a Suíça.

A atividade de comercialização de petróleo da Shell nas Bahamas, com apenas 37 trabalhadores, gerou 6,2 mil milhões de dólares entre 2018 e 2023, enquanto as operações de serviços no Reino Unido e nos Países Baixos registaram durante anos lucros reduzidos ou nulos.

SOMO – 23/07/2026

A indústria mundial de baterias fabrica até cinco vezes mais do que a procura

A indústria mundial de baterias produz atualmente entre duas e cinco vezes mais baterias de iões de lítio do que a procura exige, segundo uma análise de especialistas do setor.

O excesso de produção, impulsionado pela expansão dos veículos elétricos, está a incentivar a extração desnecessária de minerais, agravando os impactos ambientais e as violações de direitos humanos associados à mineração. Muitas das baterias fabricadas poderão nunca chegar a ser utilizadas.

A situação também dificulta a criação de uma economia circular, já que baterias novas e baratas tornam menos atrativas a reparação, a reutilização e a reciclagem, reforçando um modelo linear de extração, produção e desperdício.

SOMO – 03/08/2026

Nova Zelândia bloqueia ações judiciais contra empresas por danos climáticos

O governo da Nova Zelândia aprovou uma alteração legal por 67 votos contra 53, impedindo que qualquer ação judicial relacionada com danos ambientais e alterações climáticas avance.

A medida foi apresentada pelo Governo para evitar que processos civis “interfiram nas políticas climáticas nacionais e prejudiquem a confiança dos investidores”, mas surgiu em resposta à ação intentada pelo ativista indígena maori Michael Smith contra seis grandes empresas, incluindo a gigante do setor leiteiro Fonterra.

France24 – 19/08/2026

Apenas identificamos eventos extremos que tenham causado mortes e/ou destruição de casas e/ou levado à evacuação de milhares de pessoas mas os eventos extremos sucedem-se em todo o mundo. Nesta página de youtube podes acompanhar vídeos de vários outros eventos extremos. 

África

  • Na Algéria, fogos florestais mataram 12 pessoas
  • Durante Julho e Agosto, cheias no Yémen, mataram 73 pessoas
  • No Sudão, cheias deslocaram mais de 1000 pessoas
  • Deslizamentos de terras, na Etiópia mataram 14 pessoas
  • Cheias nos Camarões, afectaram cerca de 12000 pessoas e mataram 3 pessoas

Europa

  • Em Valência, uma tempestade causou vários danos. Esta tempestade chegou poucas horas depois de terem sido registados 44ºC, na região. Em algumas zonas as temperaturas passaram de 37,7ºC para 18,1ºC
  • Na Grécia, fogos mataram 2 pessoas e obrigaram à evacuação de centenas de pessoas
  • Cerca de 1200 pessoas foram evacuadas e 1 pessoa morreu, em fogos na Croácia
  • Um tornado, em França, danificou centenas de casas

América

  • Em Spokane, na América do Norte, fogos destruíram mais de 900 casas
  • Em British Columbia, mais de 20 000 pessoas foram evacuadas devido a fogos florestais
  • Terramoto na Colômbia matou mais de 200 pessoas, destruiu mais de 9000 casas e centenas de edifícios colapsaram
  • Cheias na Venezuela, mataram 3 pessoas, semanas depois do terramoto que afectou milhares de pessoas. Estas cheias danificaram e destruíram abrigos para pessoas afectadas pelo terramoto
  • Chuvas fortes de granizo, no Brasil, danificaram mais de 3 000 casas

Ásia e Oceania

  • Milhões de pessoas foram evacuadas, na China, antecipando a chegada de um tufão
  • No Sri Lanka, cheias mataram 6 pessoas
  • Cheias sem precedentes, no Japão, mataram 8 pessoas
  • Cheias na Coreia do Sul, mataram 10 pessoas e obrigaram à evacuação de cerca de 390 pessoas
  • O colapso de um glaciar levou a cheias que mataram mais de 900 pessoas e milhares de desaparecidos, no Nepal
  • Um terramoto, na Indonésia, matou, pelo menos 47 pessoas

42 estudos confirmam: a poluição atmosférica está associada a um risco mais elevado de Parkinson

Uma meta análise liderada por investigadores da Universidade de Cambridge sugere que a exposição prolongada à poluição atmosférica pode aumentar o risco de desenvolver doença de Parkinson.

Publicado na revista Environment International, o estudo analisou 42 investigações realizadas na América do Norte, Europa e Ásia e os resultados indicam que, por cada aumento de 5 microgramas por metro cúbico na exposição a partículas finas (PM2,5), o risco de Parkinson cresce cerca de 10%. Para as partículas maiores, conhecidas como (PM10), o aumento estimado foi de 18% por cada 15 microgramas adicionais por metro cúbico.

Os investigadores sublinham que a poluição não determina, por si só, o aparecimento da doença, já que fatores como idade, genética e alimentação também desempenham um papel importante. Ainda assim, por afetar milhões de pessoas, mesmo um aumento moderado do risco pode traduzir-se em milhares de casos adicionais.

Science Alert – 22/07/2026

Data centers na Europa estão a enriquecer as “big tech” da América do Norte

A União Europeia prepara uma expansão acelerada e injustificada de centros de dados, com o objetivo de triplicá-los nos próximos cinco a sete anos através de “zonas de aceleração” em todos os Estados-Membros.

A necessidade de uma expansão tão rápida é contestada pois dados indicam que alguns centros de dados europeus utilizam apenas uma parte da energia que reservaram, levantando dúvidas sobre a existência de uma verdadeira escassez.

Uma análise da organização SOMO conclui que grande parte dos novos projetos será financiada ou controlada por investidores norte-americanos e continuará dependente da procura de empresas como Amazon, Google, Meta e Microsoft. Mesmo quando os centros não pertencem diretamente às gigantes tecnológicas, estas deverão arrendar uma parte significativa da capacidade, podendo representar 65% da procura europeia até 2028. Entre as principais operadoras estão empresas sediadas nos Estados Unidos ou ligadas a fundos de investimento como BlackRock, Blackstone e Brookfield.

SOMO – 15/07/2026

84 % dos países não cumpriram o prazo para identificar os subsídios «prejudiciais à natureza» até 2025

Apenas 21 países, entre 134 que entregaram relatórios à Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica até 1 de julho de 2026, terão cumprido a meta de identificar subsídios prejudiciais à natureza.

A análise estima que 32 países já identificaram total ou parcialmente esses incentivos, que representam cerca de 270 mil milhões de dólares por ano e abrangem setores como combustíveis fósseis, agricultura, silvicultura, mineração e pesca. O valor, contudo, poderá ser apenas uma pequena parcela do total mundial, estimado por estudos anteriores entre 1,7 e 3,2 biliões de dólares anuais.

A meta aprovada em 2022 previa que os países identificassem estes subsídios até 2025 e eliminassem, reformassem ou reduzissem pelo menos 500 mil milhões de dólares por ano até 2030. No entanto, apenas 38% dos países incluíram essa ambição nos seus planos nacionais, e um relatório preliminar conclui que as informações disponíveis sugerem que o objetivo não foi cumprido. Os combustíveis fósseis representam quase metade dos subsídios já identificados, enquanto a agricultura e a pesca respondem por cerca de um quarto.

Carbon Brief – 28/07/2026

Um terço do fundo de descarbonização da UE foi gasto em gás fóssil

Um terço do financiamento do Fundo de Modernização da União Europeia, criado para apoiar a descarbonização dos países-membros menos ricos, terá sido destinado a projetos prejudiciais ao clima.

Segundo um relatório da organização CEE Bankwatch, até 7,1 mil milhões de euros — cerca de 35% das verbas gastas — financiaram iniciativas ligadas ao gás fóssil, à incineração de resíduos e à queima de biomassa.

Avaliado em cerca de 50 mil milhões de euros entre 2021 e 2030, o fundo pretende compensar os custos da transição energética nos países do leste e do sul da UE, mas enfrenta críticas devido à falta de transparência e ao apoio a projetos considerados incompatíveis com a neutralidade carbónica.

Euroactiv – 29/07/2026

O estado do clima: um planeta cada vez mais escuro e sobreaquecido, com oceanos degradados

O relatório anual sobre o estado do clima em 2025 revela que os oceanos registaram temperaturas recorde pelo terceiro ano consecutivo, enquanto a Gronelândia perdeu cerca de 129 gigatoneladas de gelo e algumas florestas e zonas de tundra passaram também a libertar mais dióxido de carbono do que aquele que absorvem.

O estudo elaborado pela Sociedade Meteorológica Americana com participação de cientistas da NOAA, mostra que 87% dos oceanos foram afetados por ondas de calor marinhas em 2025, num contexto de acidificação e perda progressiva de oxigénio, ameaçando os ecossistemas marinhos.

A cobertura global de nuvens foi a segunda mais baixa desde o início dos registos por satélite, permitindo que mais radiação solar atingisse a superfície terrestre, que também escureceu devido a incêndios, menor cobertura de neve e ondas de calor.

Inside Climate News – 10/08/2026

O problema climático da IA é mais grave do que se pensava

Um novo estudo publicado na revista Nature conclui que o impacto climático da inteligência artificial pode ser muito maior do que o provocado pelo consumo de eletricidade dos seus centros de dados. Segundo os investigadores, as ferramentas de IA desenvolvidas para empresas petrolíferas e de gás — usadas para localizar reservas, acelerar perfurações e aumentar a extração — poderão gerar entre 3,3 e 13,3 vezes mais emissões do que as necessárias para alimentar toda a infraestrutura de IA.

No cenário mais grave, a poluição adicional seria equivalente às emissões anuais da Rússia; no mais moderado, corresponderia às do México.

A investigação avaliou também o potencial da IA para melhorar a eficiência das energias solar e eólica, mas concluiu que esse benefício dificilmente compensaria a expansão da produção de combustíveis fósseis. Em 64 cenários analisados, as emissões globais só diminuíam quando as empresas tecnológicas deixavam de fornecer ferramentas personalizadas às petrolíferas para aumentar a produção. Para alcançar um equilíbrio climático, a IA teria de impulsionar as energias renováveis quatro a cinco vezes mais do que os combustíveis fósseis, segundo o modelo.

Heated – 12/08/2026

Vídeo – “Data Colonialism” – reportagem do “Democracy Now” sobre comunidades que se opõem à instalação de centros de dados de IA em terras indígenas

Livro – Deep Economy, de Bill McKibben – defende uma economia mais local, comunitária e sustentável, que privilegie o bem-estar coletivo em vez do crescimento económico ilimitado

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