O problema

O clima global já foi muito mais quente e também muito mais frio, dificultando ou permitindo, estas variações, o aparecimento e manutenção dos vários tipos de vida existentes no planeta, seja ela vida animal, vegetal ou humana.  

Foi apenas nos últimos 10 mil anos que a temperatura, e o clima em geral, do planeta estabilizou. É o período do Holoceno. Atualmente, entramos no Antropoceno, que se caracteriza pela influência direta do ser humano no clima e nos ecossistemas do planeta. Se as emissões de Gases com Efeito de Estufa (GEE) continuarem ao ritmo atual, a temperatura do planeta pode, até ao ano de 2100, chegar a 4º/5º C acima da média do século XX (15ºC), o que provocará grandes mudanças, não só nas nossas vidas, como também na vida de todas as espécies.

Concentração de GEE na atmosfera e o aquecimento global 

Em baixo, podemos ver a concentração de GEE na atmosfera ao longo dos últimos 800 mil anos: 

Como podes ver no seguinte gráfico, as variações de temperatura do planeta coincidem com as variações de emissões de GEE:  

De facto, os últimos anos têm sido os anos mais quentes e, todos os meses, há recordes de temperatura máxima a serem batidos em todo o planeta. A década entre 2010 e 2019 foi a década mais quente de sempre.  

O aumento da temperatura média do planeta tem como consequência direta o fenómeno das alterações climáticas que, por sua vez, aumenta a quantidade e intensidade de eventos naturais extremos, tais como secas, ciclones, cheias, etc. Alguns exemplos de recordes de temperatura e eventos extremos:  

  • Temperaturas chegam aos 54,4ºC em Death Valley na Califórnia (fonte
  • Ciclone Idaí, em Moçambique, afecta 500 mil pessoas na cidade da Beira. Moçambique não está, normalmente, nas rotas de ciclones ou furacões (fonte
  • No ártico siberiano, valores de 5°C acima da média e recordes de temperatura diária, como os 38°C em Verkhoyansk, a mais alta registada em qualquer ponto ao norte do círculo polar ártico (fonte
  • A temporada de furacões em 2020 terminou com um recorde histórico de 30 tempestades nomeadas e 12 que atingiram o continente dos Estados Unidos. A lista de nomes previstos foi ultrapassada e teve que ser utilizado o alfabeto grego, do qual quase 70% foi utilizado, chegando até a letra iota. Este é o maior número de tempestades registadas num ano, superando as 28 que ocorreram em 2005 (fonte
  • 2019 foi o ano mais quente na Rússia dos últimos 120 anos (fonte
  • Em janeiro de 2020 estiveram + 7º na Sibéria, quando as temperaturas normais rondam os 30º negativos (fonte
  • Em fevereiro de 2020, na Antártida, registaram-se temperaturas de 18,3ºC, superando em 0,8ºC o anterior record do ano de 2005 (fonte
  • Também em fevereiro de 2020, a Antártida registou um recorde de temperatura de 20,75ºC, ultrapassando pela primeira vez os 20ºC (fonte
  • No Colorado, nos EUA, num dia de setembro de 2020, estavam 34ºC e no dia seguinte nevou (fonte
  • Na Gronelândia atingiram-se temperaturas de -69ºC. É a temperatura mais fria registada no hemisfério norte (fonte). 

Infelizmente, estes são só alguns exemplos. 

O papel das florestas e dos oceanos na captura dos GEE 

As florestas, para além de produzirem oxigénio, essencial para a vida, capturam dióxido de carbono (CO2), através do processo de fotossíntese, diminuindo assim a concentração de gases com efeito de estufa e o aquecimento global. Quanto maior for a planta ou árvore, mais carbono ela captura. Por exemplo, segundo a revista científica Nature, a Amazónia tem cerca de 16 mil espécies de árvores, mas apenas 182 espécies capturam a maior parte do carbono. Também os oceanos são um excelente regulador do clima do planeta, pois, para além de produzirem oxigénio (através das algas que neles habitam), também capturam a maior parte do CO2. 

Contudo, tanto os oceanos, como as florestas, estão a deteriorar-se e a perder a capacidade de capturar o excesso de GEE na nossa atmosfera. Por exemplo, na década entre 2010 e 2019, a Amazónia emitiu mais 18% de GEE do que capturou. Isto aconteceu, não só por causa da desflorestação, mas principalmente pela degradação da floresta. 

Os sectores mais poluentes 

Visto que as florestas e os oceanos não conseguem capturar a quantidade enorme de emissões que hoje em dia são realizadas, temos mesmo de reduzir o número de emissões. Como tal, importa saber de onde elas vêm, pelo que apresentamos de seguida quais os sectores que mais emissões produzem. 

A nível global: 

FONTES: https://www.ipcc.ch/report/ar5/wg3/   e    https://www.epa.gov/ghgemissions/global-greenhouse-gas-emissions-data    

Em Portugal: 

Aqui podes também ver o inventário de todas as infraestruturas com mais emissões em Portugal.

Além disto, temos que perceber que os países do sul global são os que menos contribuem para este problema e são os que já estão a sofrer com as suas consequências. Este infográfico, do The Guardian, mostra essas desigualdades. 

Deixamos-te alguns vídeos de curta duração que te ajudam a entender melhor o problema e as consequências das alterações climáticas:  

Documentários Legendados: 

Documentários sem Legendas: 

(1) – Quando falamos em clima, falamos de vários climas existentes nos vários locais do planeta. Todos eles estão interligados e dependentes de fatores locais, mas também globais.