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Porquê este objetivo? Estaremos no caminho certo? 

 

Temos até 2030 para reduzir em 50% as emissões de Gases com Efeito de Estufa (GEE) se quisermos evitar que a temperatura média do planeta ultrapasse os 1.5ºC de aquecimento, relativamente à temperatura média registada na era pré-industrial. Esta redução tem como ano de referência as emissões realizadas em 2010.  

Porquê a urgência?

A década até 2030 é a década decisiva para agir e impedir que a temperatura média do planeta ultrapasse os 1.5ºC de aquecimento. 

O gráfico em baixo mostra projeções até 2100, acerca do aumento da temperatura média do planeta, com base nas emissões realizadas. O pior dos cenários é aquele em que as emissões realizadas atualmente se mantém, – representado pelo baseline (a cinza) – colocando-nos num caminho que leva a um aumento de temperatura de quase 5ºC. Outro, que reflete as políticas em curso atualmente – current policies (a branco) – com um aumento até 3,1ºC. Ainda outra projeção, baseada nas promessas realizadas pelos Estados – pledges & targets (a azul), que mesmo assim apresenta um aumento até 2,6ºC. São ainda apresentados outros cenários mais otimistas (a laranja, verde e amarelo), mas que implicam uma maior redução das emissões GEE (fonte).

FONTE: https://climateactiontracker.org/press/global-update-projected-warming-from-paris-pledges-drops-to-two-point-four-degrees/

Em resumo, se continuarmos ao ritmo atual de emissões, teremos até 2100 um aumento de temperatura entre 4.1 e 4.8ºC. Isto quer dizer que nessa altura tudo será diferente, com impacto significativo, não só nas temperaturas de cada região, como também na produtividade dos solos, que maioritariamente decairá, ou ainda na quantidade e dimensão de eventos extremos, tais como, cheias, secas, furacões ou fogos florestais que tendem a aumentar de frequência e de intensidade. 

Qual é a diferença entre 1.5ºC e 2ºC de aquecimento? 

Essa comparação é feita num relatório realizado pelo IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas), explicado num artigo do World Resources Institute:  

Em resumo: 

  • Com 1.5ºC, o mar de gelo do Ártico no verão deverá desaparecer uma vez em cada século, comparado com uma vez por década no cenário de 2ºC;  
  • Com 1.5ºC, 8% das plantas conhecidas perderão metade da sua área climaticamente adequada, comparado com 16%, no caso de 2ºC; 
  • Com 1.5ºC, o aumento do nível do mar será 10 cm menor (com 10 milhões de pessoas a menos a sofrerem esse impacto, tendo em conta os níveis atuais de população); 
  • Com 1.5ºC, os recifes de coral poderão diminuir até 80%, mas poderão desaparecer na totalidade, com 2ºC. 

Precisamos de deixar de extrair combustíveis fósseis? 

Desta forma, precisamos de baixar as emissões e, entre outros, precisamos de reduzir a utilização combustíveis fósseis. Acima de tudo, precisamos de deixar de procurar novas reservas e parar qualquer novo projeto que aumente as emissões. No gráfico em baixo podes ver como as reservas de combustíveis fósseis existentes (apresentadas à esquerda) ultrapassam largamente o que podemos emitir para limitar o aumento de temperatura global a 1.5º C (apresentado na coluna do meio).  

A própria Agência Internacional de Energia também refere que temos que “parar já com todo e qualquer investimento em novos projetos baseados nos combustíveis fósseis”, para atingir a neutralidade carbónica até 2050 (fonte).

Vê na página sobre FALSAS SOLUÇÕES mais informação sobre neutralidade carbónica e emissões neutras. 

O Simulador do MIT permite perceber de forma bastante realista as várias ações, nas várias áreas da sociedade, que podemos levar a cabo, para limitar o aquecimento global em 1,5ºC. Experimenta! Nas barras inferiores podes aumentar ou reduzir a produção de combustíveis fósseis, aumentar a produção de renováveis, aumentar ou reduzir a desflorestação, aumentar ou reduzir a eficiência energética dos edifícios e transportes. Esse aumento ou diminuição reflete-se no aumento de temperatura assinalado no canto superior direito.