Data centers, minas e gasodutos: os projetos que a UE quer acelerar à custa dos ecossistemas e do clima
Olá! Sabias que existe um projecto para a construção de um gasoduto de 270km’s, entre Celorico da Beira e Zamora (Espanha) dos quais 184km’s em Portugal? O CelZa está integrado no projecto europeu H2med, “uma iniciativa transnacional que visa ligar as redes de hidrogénio da Península Ibérica ao noroeste da Europa”.
Precisamos de parar este gasoduto porque, apesar de estar mascarado de “verde”, este é apenas mais um projecto de gás fóssil que não podemos permitir num mundo em crise climática.
A Linha Vermelha, em colaboração com outras organizações e ativistas do movimento por justiça climática, está a trabalhar para travar o CelZa. Junta-te à luta!
Podes saber mais sobre o projeto aqui https://linhavermelha.org/vamos-parar-o-novo-gasoduto-celza/ e aderir à mailing list para receberes novidades sobre o gasoduto aqui https://stats.sender.net/forms/axkW9q/view. Se conheceres pessoas, associações e empresas que estão localizadas na rota prevista do gasoduto escreve-nos para info@linhavermelha.org.
Até breve!
Nota: Todas as palavras sublinhadas são links externos, fontes de notícias, estudos, ou outras referências.

Notícias
Estudo revela que 98% das promessas ambientais da indústria de carne e laticínios são “greenwashing”
Um estudo publicado na PLOS Climate analisou 1 233 promessas ambientais de 33 grandes empresas de carne e laticínios (entre 2021 e 2024) e concluiu que 98% dessas promessas são greenwashing, por serem vagas, não verificáveis ou sem evidência científica robusta. Das 1 233 alegações, 38% eram projeções futuras não verificáveis, só 29% apresentaram alguma evidência e apenas 3 se basearam em literatura científica. Das 33 empresas, 17 fizeram compromissos de “net‑zero” que, na prática, tendem a depender de compensações de carbono em vez de descarbonização real.
Em 2025, a remuneração dos principais CEO’s aumentou 20 vezes mais rapidamente do que a dos trabalhadores
Um relatório conjunto da ITUC e da Oxfam revela que a remuneração média dos CEOs nas 1 500 maiores empresas subiu para 8,4 milhões de dólares em 2025 (um aumento real de 54% desde 2019), enquanto o rendimento real médio dos trabalhadores caiu 12% no mesmo período.
Em 2025, quatro executivos receberam mais de 100 milhões de dólares cada um os 10 CEOs mais bem pagos arrecadaram mais de 1.000 milhões no total.
O estudo também mostra que os bilionários receberam 79 mil milhões de dólares em dividendos em 2025 — cerca de 2.500 dólares por segundo — e que a diferença salarial de género entre os trabalhadores destas empresas é, em média, 16%
Dirigentes do setor dos fertilizantes e dos cereais ganham 66 milhões de dólares com a venda de ações durante a guerra no Irão
Uma investigação da DeSmog revela que responsáveis e investidores de empresas líderes do setor de fertilizantes e cereais venderam mais de 66 milhões de dólares em ações desde o início da guerra no Médio Oriente, beneficiando, assim, da forte valorização das ações enquanto produtores e consumidores suportam a subida dos preços.
Com o encerramento do Estreito de Ormuz e o aumento dos preços dos fertilizantes em quase 45%, ações da Nutrien subiram mais de 50% em março e as da CF Industries quase 40%.
insiders destas e de outras empresas, como a Archer Daniels Midland, realizaram vendas lucrativas — o CEO da Nutrien, por exemplo, vendeu quase 5 milhões de dólares em ações em março, com um lucro estimado de 1,8 milhões.
O Programa Alimentar Mundial estima que o conflito pode empurrar mais 45 milhões de pessoas para a fome aguda.
Governo norueguês decide reabrir campos de gás no Mar do Norte
O governo da Noruega aprovou a reabertura de três campos de gás no Mar do Norte — Albuskjell, Vest Ekofisk e Tommeliten Gamma — encerrados em 1998, e autorizou exploração em 70 novas áreas no Mar do Norte.
O governo planeia investir 19 mil milhões de coroas para reiniciar a produção até 2028 e manter a extração até 2048, com o gás a ser enviado por gasoduto para a Alemanha e o petróleo leve para o Reino Unido.
Em 2025, a UE importou uma quantidade recorde de GNL (Gás Natural Liquefeito)
A Agência da União Europeia para os Consumidores de Energia (ACER) alerta que o GNL a passou a representar quase metade do consumo da UE e bateu recordes de importação em 2025 — 146 bcm através de 1 850 cargueiros — fazendo da UE o maior importador mundial.
O relatório destaca também que a UE depende cada vez mais dos Estados Unidos (58% das importações de GNL em 2025, cerca de 25% da procura total de gás da UE).
Identificada presença generalizada de microplásticos nos rios Mondego e Vouga
Investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade de Coimbra (MARE‑UCoimbra), em parceria com uma outra equipa de investigadores, detetaram microplásticos nos rios Mondego e Vouga, dois dos principais cursos de água da região Centro de Portugal.
O estudo, publicado no Journal of Hazardous Materials: Plastics, analisou partículas na coluna de água e encontrou sobretudo fibras com dimensões inferiores a 1 mm. Os polímeros mais comuns foram polietileno e polipropileno, associados a embalagens e plásticos descartáveis.
Para além da quantificação, os autores realizaram uma avaliação de risco ecológico usando índices internacionais, concluindo que o perigo é devido à preponderância de partículas pequenas, mais facilmente ingeridas por organismos aquáticos, que potenciam assim uma contaminação de toda a cadeia alimentar associada.
O gelo marinho da Antártida entra numa fase de declínio à medida que os oceanos aquecem
O gelo marinho da Antártida, que durante décadas parecia resistente ao aquecimento global, entrou num declínio abrupto desde 2015, segundo um novo estudo. Em 2023 a extensão do gelo sazonal atingiu mínimos históricos tão extremos que tiveram probabilidade estimada de ocorrer de apenas 1 em 3,5 milhões.
Até há pouco tempo, esta parte do oceano, mantinha uma camada fria superficial que isolava o gelo do calor profundo, mas essa barreira enfraqueceu e permitiu que águas mais quentes e salgadas subissem e derretessem o gelo.
As consequências locais incluem impactos sobre ecossistemas dependentes do gelo — como algas e aves marinhas, com relatos de mortalidade em crias de pinguins-imperador. Depois existem também os efeitos climáticos globais, já que menos gelo significa menos radiação solar refletida e menor capacidade do oceano armazenar calor e carbono.
Como a mineração de ouro provocou um aumento da malária na Amazónia brasileira
Investigadores associam o surto de malária entre a população Yanomami à invasão de mineiros ilegais na sua terra, que começou em 2016 e aumentou após a flexibilização das regras sobre mineração durante o governo de Jair Bolsonaro. Um estudo publicado em Biology Letters, com análise de imagens de satélite e dados de saúde, concluiu que os casos de malária quadruplicaram nas áreas mais afetadas pela mineração.
Em 2023 havia cerca de 20 000 mineiros no território Yanomami, e quase todos os testados chegavam a apresentar malária no auge da invasão. Os investigadores apontam três mecanismos de transmissão ligados à mineração: entrada de mineiros infectados, criação de lagoas de água parada por escavações — ideais para a reprodução de mosquitos — e contaminação por mercúrio, que compromete a saúde e a resistência à doença.

Eventos Extremos
Apenas identificamos eventos extremos que tenham causado mortes e/ou destruição de casas e/ou levado à evacuação de milhares de pessoas mas os eventos extremos sucedem-se em todo o mundo. Nesta página de youtube podes acompanhar vídeos de vários outros eventos extremos.
África
No Quénia, chuvas e deslizamentos de terras causaram, pelo menos, 18 mortes.
Cheias na África do Sul mataram 10 pessoas e destruíram várias casas.
Europa
Uma vaga de calor assola a Europa e em França já causou 7 mortes.
Na Turquia, inundações e deslizamentos de terras, causaram 3 mortes
América
Mais de 17 000 pessoas foram evacuadas e uma casa foi destruída, por fogos florestais na Califórnia.
No Canadá, 8 tornados levaram a mais de 300 ocorrências e levou a que mais de 1800 pessoas ficassem sem electricidade.
No sul da Geórgia, fogos obrigaram à evacuação de centenas de pessoas e destruíram, pelo menos 125 infraestruturas.
Várias tempestades, no Mississipi, causaram 17 feridos, causaram danos em mais de 500 casas e várias estradas bloqueadas.
Ásia e Oceania
Violentas tempestades de chuva e granizo, na Índia, mataram mais de 100 pessoas, causaram 59 feridos e danificaram 87 casas.
Chuvas intensas, na China provocam 3 mortes e dezenas de pessoas desaparecidas, além de várias pessoas forçadas a sair das suas casas.
Chuvas e deslizamentos de terras, nas Filipinas, mataram 12 pessoas e obrigou a mais de 2,7 milhões de pessoas a serem evacudadas.
Cheias no Afeganistão mataram 37 pessoas

Relatórios e estudos científicos
Esgotos estão a ameaçar os recifes de coral em todo o mundo, mesmo nas áreas marinhas protegidas
Um novo estudo da Wildlife Conservation Society e da University of Queensland revela que mais de 70% das áreas marinhas protegidas no mundo estão expostas a elevadas cargas de poluição por esgotos.
A análise, que abrangeu mais de 16 000 áreas protegidas concluiu que cerca de 12 000 zonas já sofrem contaminação. Os autores alertam que, por estarem próximas da costa, muitas reservas recebem descargas provenientes de falta de saneamento básico, falhas em fossas sépticas e estações de tratamento ineficazes, introduzindo nutrientes (nitrogénio, fósforo) e químicos que prejudicam o crescimento dos corais, aumentam a suscetibilidade ao seu branqueamento.
Inside Climate News – 26/04/2026
Lucros obscenos da Shell numa altura em que os lucros das grandes petrolíferas europeias aumentam 43%
Seis gigantes petrolíferas europeias — BP, Shell, TotalEnergies, Eni, Equinor e Repsol — registaram lucros combinados de cerca de 21,7 mil milhões de dólares no primeiro trimestre de 2026, o nível trimestral mais alto desde 2022.
Segundo uma análise da Global Witness; o total representa um aumento de 43% face a igual período de 2025. A Shell, a BP e a TotalEnergies arrecadaram, desde a invasão da Ucrânia em 2022, mais de 252 mil milhões de dólares em lucros, e só no trimestre recente pagaram aos acionistas cerca de 10 mil milhões de dólares em dividendos.
Desigualdades causam 100 000 mortes adicionais por ano devido ao calor e ao frio na Europa
Investigadores descobriram que a desigualdade económica contribui para mais de 100.000 mortes adicionais por ano na Europa devido a temperaturas extremas, segundo um estudo que analisou dados diários de mortalidade de 654 regiões entre 2000 e 2019.
O relatório associa elevadas taxas de mortalidade térmica a indicadores de pobreza e incapacidade de aquecer ou arrefecer casas, sublinhando que regiões mais ricas registam menos mortes por frio, mas mais por calor, provavelmente devido ao efeito de ilha de calor urbano.
Data centers, minas e gasodutos: os projetos que a UE quer acelerar à custa dos ecossistemas e do clima
Um relatório da Corporate Europe Observatory – “Permission to Pollute” – acusa a Comissão Europeia de aliviar regras de licenciamento para projetos industriais e energéticos, permitindo que setores poluidores — mineração, petróleo e gás, hidrogénio e centros de dados — obtenham autorizações aceleradas e tratamentos especiais quando classificados como “estratégicos” ou de “interesse público”.
Documentos revelam que o lobby industrial influenciou diretamente a elaboração das propostas (ReSourceEU, Environmental Omnibus, Grids Package, Industrial Accelerator Act), resultando em avaliações ambientais mais frágeis, menor participação pública e maior uso de aprovações tácitas.
O relatório aponta ainda que a comissão tem oferecido apoios financeiros pedidos pela indústria e regras de auxílios estatais mais flexíveis, o que pode levar a pagar por infraestruturas que perpetuam poluição e dependência de combustíveis fósseis. Três estudos de caso mostram impactos concretos — destruição de territórios indígenas na Suécia, expansão de gasodutos com riscos de segurança e construção de centrais fósseis para alimentar data centers.
Corporate Europe Observatory – 11/05/2026
O petróleo e o gás não conseguem impulsionar o desenvolvimento económico em África
Um novo relatório, da organização “Oil Change International”, de nome “Pipe Dreams” conclui que a exploração de petróleo e gás em 13 países africanos não promoveu desenvolvimento económico nem redução da pobreza, tendo antes aprofundado desigualdades, dependência externa e vulnerabilidade a choques globais.
A investigação, baseada em literatura académica, dados oficiais e relatórios independentes, identifica padrões recorrentes — economia extrativista, enfraquecimento de outros setores, corrupção e sensibilidade a forças externas — e mostra que os lucros beneficiaram multinacionais e elites, enquanto comunidades locais suportaram poluição, perda de meios de subsistência e instabilidade económica.
Segundo estimativas da IRENA citadas no relatório, um modelo de energias renováveis poderia criar cerca de 14 milhões de empregos em África até 2030, gerar mais emprego por dólar investido do que os fósseis e distribuir benefícios de forma mais inclusiva, reduzindo vulnerabilidades e fortalecendo a segurança económica dos países.
Oil Change International – 08/05/2026
Em Portugal, quase 70% das pessoas nunca utilizam os transportes públicos
Um estudo encomendado pela Greenpeace e assinado pelo Öko‑Institut conclui que quase 70% da população, em Portugal, utiliza pouco ou de forma inadequada os transportes públicos devido a problemas de disponibilidade, acessibilidade e acessibilidade económica.
Com base em 11 indicadores (incluindo motivos para não usar transportes públicos, custos relativos e tempos de deslocação) e em dados 2018–2024, o relatório identifica que até 56% da população em alguns países não usa transportes públicos porque estes não existem ou têm frequência insuficiente, e que entre 6% e 15% considera-os demasiado caros ou financeiramente gravosos — problemas mais agudos fora das grandes áreas urbanas e entre grupos vulneráveis como idosos e mulheres.

Recomendações
Artigo – Artigo do The Guardian sobre como a expansão de terminais de gás natural liquefeito na Louisiana tem provocado impactos ambientais e sociais graves
Vídeo – Andrés Olarte: a whistleblower’s journey – vídeo de 8 minutos onde Andrés Olarte conta a sua denúncia contra a Ecopetrol, no Equador, pelas práticas da empresa como violar normas ambientais e montar um esquema de vigilância e intimidação a ativistas locais.