Antes de tudo: Alterações climáticas são um problema diferente de crise ecológica, embora estejam interligados.
As alterações climáticas são um problema decorrente de excesso de Gases com Efeito de Estufa (GEE) na atmosfera. Esse excesso causa o aumento da temperatura média do planeta, designado aquecimento global. A queima de combustíveis fósseis é responsável por 75% de todas as emissões de GEE (fonte). A imagem em baixo, ilustra o efeito de estufa.

O clima global já foi muito mais quente e também muito mais frio, dificultando ou permitindo, estas variações, o aparecimento e manutenção dos vários tipos de vida existentes no planeta, seja vegetal ou animal (na qual se inclui a espécie humana). Note-se que quando falamos em clima, trata-se, na verdade, de vários climas existentes nos vários locais do planeta. Todos estão interligados e dependentes de fatores locais, mas também globais.
Foi apenas nos últimos 10 mil anos que a temperatura do planeta, e o clima em geral, estabilizou. Este ponto é designado período do Holoceno. Atualmente, entramos no Antropoceno, que se caracteriza pela influência direta do ser humano no clima e nos ecossistemas do planeta. Se as emissões de Gases com Efeito de Estufa (GEE) continuarem ao ritmo atual, a temperatura do planeta pode, até ao ano de 2100, chegar a 4º/5º C acima da média do século XX (15ºC), o que provocará grandes mudanças, não só nas nossas vidas, como também na vida de todas as espécies.
Concentração de GEE na atmosfera e o aquecimento global
Foi a estabilidade no clima que alavancou o desenvolvimento da agricultura em várias zonas do planeta e proporcionou condições favoráveis ao crescimento da espécie humana.
Na imagem em baixo pode-se consultar as emissões de GEE dos últimos 800 mil anos. Convém teres em conta que o homo sapiens apareceu há cerca de 300/250 mil anos atrás.
É também de salientar que a Revolução Industrial começou em 1760, sendo que foi a partir dessa data que se começaram a utilizar combustíveis fósseis em larga escala.
Como podes ver no seguinte gráfico, as variações de temperatura do planeta coincidem com as variações de emissões de GEE:
De facto, os últimos anos têm-se registado as temperaturas mais quentes, com tendência de crescimento. Todos os meses há recordes de temperatura máxima a serem batidos em todo o planeta. A década entre 2010 e 2019 foi a mais quente de sempre.
O aumento da temperatura média global tem como consequência direta o fenómeno das alterações climáticas que, por sua vez, potencia a quantidade e a intensidade de eventos naturais extremos, tais como secas, ciclones, cheias, etc. Alguns exemplos de recordes de temperatura e eventos extremos:
- Temperaturas chegam aos 54,4ºC em Death Valley na Califórnia (fonte)
- Ciclone Idaí, em Moçambique, afeta 500 mil pessoas na cidade da Beira. Moçambique não está, normalmente, nas rotas de ciclones ou furacões (fonte)
- No Ártico siberiano, valores de 5°C acima da média e recordes de temperatura diária, como os 38°C em Verkhoyansk, a mais alta registada em qualquer ponto ao norte do círculo polar ártico (fonte)
- A temporada de furacões em 2020 terminou com um recorde histórico de 30 tempestades nomeadas e 12 que atingiram o continente dos Estados Unidos. A lista de nomes previstos foi ultrapassada e teve que se recorrer ao alfabeto grego, do qual quase 70% foi utilizado, chegando até a letra iota. Este é o maior número de tempestades registadas num ano, superando as 28 que ocorreram em 2005 (fonte)
- Podes também ler este resumo dos recordes estabelecidos, nos primeiros seis meses de 2024
- E também deves ver esta lista que o The Guardian elaborou, com vários recordes de temperatura ocorridos em 2024
Infelizmente, estes são só alguns exemplos. Na nossa newsletter mensal, partilhamos mensalmente eventos extremos, que aconteceram no último mês.
Analisando as emissões de GEE ao longo do tempo, constata-se que mais de metade de todas as emissões de GEE desde 1751 ocorreram nos últimos 30 anos.

O papel das florestas e dos oceanos na captura dos GEE
As florestas, para além de produzirem oxigénio, essencial para a vida, capturam dióxido de carbono (CO2), através do processo de fotossíntese, diminuindo assim a concentração de gases com efeito de estufa e o aquecimento global. Quanto maior for a planta ou árvore, mais carbono ela captura. Por exemplo, segundo a revista científica Nature, a Amazónia tem cerca de 16 mil espécies de árvores, mas a maior parte do carbono é capturado por apenas 182 espécies. Os oceanos são, igualmente, um excelente regulador do clima do planeta pois, para além de produzirem oxigénio (através das algas que neles habitam), também capturam a maior parte do CO2.
Contudo, tanto os oceanos, como as florestas, estão a deteriorar-se e a perder a capacidade de capturar o excesso de GEE na nossa atmosfera. Por exemplo, na década entre 2010 e 2019, a Amazónia emitiu mais 18% de GEE do que capturou. Isto aconteceu, não só devido à desflorestação, mas sobretudo devido à degradação da floresta.
Os sectores mais poluentes
Visto que as florestas e os oceanos não conseguem capturar a quantidade enorme de emissões que hoje em dia são geradas, é imprescindível a redução das emissões. Como tal, importa saber quais as suas origens pelo que apresentamos, de seguida, os sectores que mais emissões produzem.
A nível global:

As emissões a nível global, com mais detalhe:

Em Portugal:
Aqui podes também consultar o inventário de todas as infraestruturas com maior produção de GEE em Portugal.
Para entenderes a dimensão do problema, é fundamental saber:
No gráfico em baixo mostra como as reservas de combustíveis fósseis existentes (apresentadas à direita) ultrapassam largamente o que se pode emitir para limitar o aumento de temperatura global a 1.5º C (apresentado na linha horizontal mais em baixo).

Isto significa que as empresas de combustíveis fósseis têm de deixar 40% das suas reservas de combustíveis fósseis, já em exploração, debaixo do solo, para manter o aquecimento em 1.5ºC.
Que países têm maior responsabilidade nas emissões de GEE?
Na imagem seguinte estão listados os países que apresentam mais emissões históricas (ou seja, ao longo do tempo, desde o início da Revolução Industrial):

Importa, ainda, perceber que os países do sul global são os que menos contribuem para este problema e são os que já estão a sofrer as suas consequências. Este infográfico, do The Guardian, mostra essas mesmas desigualdades.
Porque é que é impossível resolver este problema individualmente?
Por uma questão lógica, à qual se aliam motivações éticas, compete a cada pessoa mudar o que puder na sua vida, a fim de contribuir positivamente para o futuro do planeta e das sociedades. Contudo, se formos honestos connosco próprios e não cairmos em ilusões, constatamos que a ação individual é insuficiente perante a mudança estrutural necessária e urgente.
Vejamos a escala do problema:
Num ano, a refinaria de Sines (que é pequena, a nível mundial) emite 2 359 050 t CO2eq, enquanto 5000 portugueses em 80 anos emitem 2 000 000 t CO2eq (eq=equivalente)
Porém, também é fundamental ter em conta que nem todas as pessoas têm a mesma responsabilidade, pois o contributo para as emissões depende do estilo de vida. Na imagem em baixo podes constatar que:
50% das emissões globais são feitas por apenas 10% da população mais rica.
10% das emissões globais são feitas por 50% da população mais pobre.

Hoje sabe-se que as empresas de combustíveis fósseis tinham conhecimento, desde a década de 70 do século passado, que a sua atividade estava a causar este problema. Contudo, optaram por:
- financiar o negacionismo sobre as alterações climáticas;
- financiar campanhas onde colocam o foco na responsabilidade individual de cada pessoa, transferindo assim o problema para o consumo e não a produção, a verdadeira origem do problema;
Basta escrever “fossil fuel companies knew advertisements denialism” em qualquer motor de busca online para aceder a bastante informação sobre como esta indústria criou estratégias para desviar as atenções (estão disponíveis várias fontes).
Sabias que as empresas de combustíveis fósseis recebem (anualmente) 13 Milhões de euros por minuto em subsídios públicos?

De seguida, partilhamos alguns vídeos de curta duração que podem ajudar a entender melhor o problema, bem como as consequências das alterações climáticas.
- Vídeo que ilustra as consequências das alterações climáticas em diferentes regiões do planeta: https://www.youtube.com/watch?v=5W-zPqrGQWA
- Vídeo que ilustra as consequências das alterações climáticas nos oceanos: https://www.youtube.com/watch?v=NHf-xSvpF-Y
- Vídeo que ilustra as consequências das alterações climáticas nas florestas: https://www.youtube.com/watch?v=b4eLTYUcj7k
- Consequências da extração de gás convencional em Groningen – https://www.youtube.com/watch?v=KpkUGyjf7hY&app=desktop
- O que é o Fracking? : https://www.youtube.com/watch?v=WRKHgTQI40o
- Consequências do fracking: https://www.youtube.com/watch?v=4LBjSXWQRV8
- Consequências do fracking: https://www.youtube.com/watch?v=PlVbyWeXJoM
Documentários Legendados:
- GASLAND (1h42mnts): https://www.youtube.com/watch?v=k3eYX7LaLLg
- There’s No Tomorrow (34mnts): https://www.youtube.com/watch?v=aUF9XnZjmBk
- Do The Math (45mnts): https://www.youtube.com/watch?v=IsIfokifwSo
- Recursos, Custos, Benefícios & petrolíferas? Frack M’isto! (42 mnts): https://www.youtube.com/watch?v=BCJ2ikhvvPM
- The Age of Stupid (1h28mnts): http://animalchef.com.br/videoteca/video/a-era-da-estupidez-the-age-of-stupid-2009-legendado-pt/
Documentários sem Legendas:
- Power Trip: Fracking in the UK (1h3mnts): https://www.youtube.com/watch?v=L2j5rVbQKYI
- Blockadia Rising (53mnts): https://www.youtube.com/watch?v=2n7NY3XqiF4
- Disruption (52mnts): https://vimeo.com/105412070
- Crude (1h44mnts): https://www.youtube.com/watch?v=f7CWf19wFr4
- Disobedience (40mnts): https://www.youtube.com/watch?v=qNSrjpWyOi8
Consideramos que o nosso papel é fomentar a compreensão do problema, a partir da partilha de informação sintetizada relativa a estudos oficiais sobre alterações climáticas, facilitando o acesso, uma vez que a mesma não é difundida nos meios de comunicação mainstream, deixando, por isso muitas pessoas sem o real conhecimento desta grave situação.
Vem tricotar connosco por 1.5! Vê aqui como te podes juntar!